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Prototipando um sistema do tipo surface em papel. Dá certo?

O pessoal que lê meu blog ou que passa por aqui já deve ter percebido que gosto bastante de falar do processo de design em si mais até do que o produto final. E outro dia, o Daniel Orlandini, fez uma pergunta na lista de discussão que achei bem legal, sobre prototipação de um sistema Surface (ou similar) usando o papel. Acredito que seja uma dúvida recorrente para quem começa a testar seus projetos em protótipos e envolvendo os usuários. Era apenas um trabalho acadêmico, mas assim como ele, eu também já tive muitas dúvidas parecidas... A questão dele era a seguinte:

Num trabalho feito para a matéria de prototipação da pós, resolvermos testar um sistema de gerenciamento/compartilhamento de fotos para a Surface (ou similar) e prototipamos em papel. Após alguns testes o que vimos é que esse tipo de interação, para o tipo de protótipo, não era facilmente percebida. As pessoas agiam como um sistema de aponta e clique normal, chegando a esperar que o sistema lhes dissesse o que fazer. (...) Nos esperávamos que a quebra do paradigma da interação fosse o suficiente para despertar interesse e curiosidade dos usuários para explorar o sistema. E o que foi visto é que os usuários agiam da forma tradicional. Eu concordo com ele que nem tudo dá para testar em um protótipo de papel. Resumidamente, eu respondi dizendo que "Ele fez a coisa certa (protótipo) para testar a coisa errada (a reação das pessoas, se elas usariam as mãos,etc). Talvez ele tenha esperado de mais do protótipo em papel. Expliquei assim:
A pergunta principal é: O que você queria testar? - A reação das pessoas diante da novidade? ou Conferir a compreensão dos elementos de interface, como ícones, nomenclatura, menus? Ou tudo isso junto? (Se a resposta for "tudo isso junto" o melhor não seria testar tudo em um protótipo só, mas ir evoluindo aos poucos, testando partes e pedaços do sistema, conforme ele fosse sendo desenvolvido). Esse tipo de reação do usuário que ele esperava, do tipo "olha que bacana, vou explorar isso", ele só vai conseguir avaliar com um protótipo mais funcionalzinho. Mas o protótipo de papel, na minha opinião, sempre dá para testar coisas importantes do sistema, como a comprensão dos elementos de interface, coisas do tipo:
  1. se o menu parece um menu mesmo (se as pessoas clicariam),

  2. se as pessoas compreendem os labels

  3. se as pessoas compreendem o que quer dizer cada ícone

  4. se o tamanho dos elementos é legível

  5. se as pessoas conseguem descrever o que é e para o que serve cada elemento

  6. se precisa de mais instrução ou dicas de como interagir

  7. se a instrução é entendível (no caso de haver alguma) *Neste caso, ele teria de dar algum tipo de instrução para a pessoa, sem nenhuma pista fica mesmo difícil da pessoa saber como deve interagir, no caso de interagir usando as mãos (que é ainda uma forma relativamente nova para a maioria das pessoas). Outra coisa que também é fato: as pessoas sempre tendem a realizar as suas tarefas da maneira que estão mais acostumadas, seguem o modelo mental que já está enraizado. Isto é natural. Para que haja essa quebra de paradigma como ele disse, primeiro é preciso que as pessoas aprendam o sistema, ou seja o processo de aprendizado do sistema precisa ser previsto e antes disso, é preciso que as pessoas se sintam motivadas a aprendê-lo. Concluindo, o protótipo de papel é sempre válido e serve para testar coisas mais práticas, como as que citei, e evita de ter de desenvolver inutilmente. Outra coisa que ajuda muito é sempre começar a construir a menor parte do sistema, tem de encontrar o que é o "essencial do sistema" para prototipar e focar mais o teste. E aí, o que você acha? O que dá para testar em um protótipo de papel de sistema para surface e o que não dá?

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