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Experiência do usuário no FAD

Ontem fui ao FAD - Festival de Arte Digital, que aconteceu, aqui, em BH. Este ano ocorreu nas estações de metrô da capital. Fui motivada pela curiosidade e principalmente pela esperança de ver um FAD melhor e mais maduro que o ano anterior. Infelizmente não superou minhas expectativas. Longe de querer discutir o que é Arte, e entrar no mérito dos trabalhos, me limitei a dar minha opinião do ponto de vista de observadora, do que vi e percebi sobre a interação dos trabalhos com o público, foco na experiência dos visitantes. O evento acontecia em 3 estações principais da cidade, a maior parte dos trabalhos se concentrava na Estação Central. Ocorriam, paralelamente, exposicões, instalações interativas e algumas performances. Galeria de exposições audiovisuais O maior problema destas exposições foi o formato. Os trabalhos multimídias eram exibidos em estações de PC, a interação ocorria por meios tradicionais: mouse, monitor, teclado e fone de ouvido. O usuário ficava em pé, de frente a tela. Por várias razões, não notei muita empolgação das pessoas quando interagindo com estes trabalhos. As pessoas exploravam os trabalhos mas não despendiam muito tempo em cada trabalho, minha impressão era de que não havia motivação para conhecê-los melhor. Muitos eram apenas videos e pouca interatividade, pouco envolvimento e pouco tempo despendido em cada trabalho.

Outros detalhes contribuíram para a má experiência: telas sem saída, áudio baixo (quase inaudível), problemas de usabilidade: para sair de um trabalho tinha de clicar em ESC + F4 (!) e quando saía tinha de clicar em voltar, nem sempre havia um instrutor por perto para orientá-los. Muitas vezes percebi que não sabia exatamente como interagir, se era com o mouse, teclado ou se era simplesmente uma apresentação em vídeo. O fato da interação acontecer em pé também atrapalhava um pouco: cansa. Problemas de acessibilidade: algumas crianças (havia algumas no local) atraídas pelas imagens grandes e coloridas, não conseguiam ter acesso a tela do computador, que ficava um pouco acima, em uma bancada. Dentre os trabalhos, um, muito simples por sinal, fez sucesso, sempre o via em alguma tela, é o Artconquest. Uma espécie de jogo de perguntas e respostas, ironizando a figura do artista. No final sempre saia um resultado inusitado o que provocava risos nas pessoas. "Não era melhor eu entrar no site desses caras, sentado confortavelmente da minha casa, usando meu computador?" era a sensação predominante. Instalações Interativas Estas eram a atração mais interessante do evento. Notei grande curiosidade e o formato contribuia para a interatividade: cabines grandes escuras com projeções em telões, as pessoas faziam perguntas, queriam entender o que era, como funcionava tecnologicamente, qual era a proposta de cada trabalho, riam, se interessavam . Das instalações, a que fez mais sucesso com o público, era também a mais divertida. "Authority" atraia as pessoas pela simplicidade da proposta: o sujeito pegava o microfone (que ficava pendurado do teto) e gritava com a imagem do policial alemão (projetado em vídeo). O policial reagia com o volume da voz, quanto mais alto gritava mais encolhido o policial ficava. Era cômico, inusitado, divertido. Site do projeto: www.popkalab.com Video do Authority Outro que também atraía as pessoas era o  Your life our movie . Havia duas projeções de imagens, uma acontecia no telão e outra na tela do monitor. A do telão eram imagens relacionadas a palavras-chave que as pessoas enviavam para um e-mail e a do monitor palavras que as pessoas digitavam na hora, no computador. As imagens faziam parte do banco de imagens Flickr. Enviamos "Brasil" e "Stamp" por e-mail, via celular e apareceu lá. Video Your life our movie Um terceiro, o Conected Momories, tinha um apelo estético inusitado interessante e exatamente por isso chamava a atenção das pessoas: duas cabeças "robóticas" dependuradas pelo teto, "conversavam sobre seus sonhos" e "projetavam suas memórias" nos vídeos (que ficavam instalados em suas "testas"). O público interagia com uma das cabeças, podia enviar um arquivo (vídeo, música ou texto) por bluetooth e a cabeça reproduzia o arquivo. Um menino (aprox. 8 anos) envio a música "piriguete" e a cabeça obedeceu prontamente, tocou "quando ela me vê ela mexe, piripipipiri-gueeete". Vídeo Conected Memories Saldo final As atrações que chamaram mais atenção do público (onde notei maior participação e interação) eram também as mais acessíveis e divertidas e principalmente, despertavam algum tipo de emoção: surpresa, vergonha, curiosidade... Fico, ainda, com a impressão que, para os profissionais antenados na área, para quem está ligado na rede e vê novidades constantemente, os trabalhos são muito repetitivos, poucos são inspiradores. Por outro lado, para o público leigo, alguns trabalhos ainda parecem inatingíveis e inacessíveis, o que contribui para a "preguiça" que muitos dizem sentir com relação a arte. Fiquei curiosa para saber a opinião de outras pessoas. ps.: não assisti as performances e shows. Veja todas as fotos em: http://www.flickr.com/photos/latitude14/

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