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Emotional design em prática

Estou lendo "O Cerebro do futuro" de Daniel Pink que tem tudo a ver com Design thinking, Emotional design, Design de interação... e tem uma intertextualidade imensa com tudo o que tenho lido e ouvido nos últimos anos e por essas e outras entrei na onda do livro e resolvi botar em prática alguns dos exercícios propostos. Todos os exercícios e atividades propostas no livro tem o propósito de desenvolver o lado direito do cérebro, o lado criativo, empático, a visão do todo, o lado onde predominam as atividades neurológicas que envolvem o Design thinking. Se você já leu "Emotional Design"  de D. Norman, provavelmente irá identificar a ligação entre a proposta do exercício e os conceitos de Norman. O que escolhi para fazer hoje consiste em: Escolher um objeto que tenha algum significado especial para mim, colocar este objeto sobre uma mesa e examinar as seguintes questões abaixo.

  1. Quando você olha para este objeto, no que ele faz você pensar? Algo que você viveu? A habilidade que você desenvolveu ao usá-lo? A pessoa que o fez? Talvez você possa trazer a tona algumas sensações ou experiências agradáveis.

  2. Como esse objeto afeta cada um de seus cinco sentidos? Haverá uma série de detalhes ou aspectos do design que estimularão seus sentidos.

  3. Pense na relação que  você estabeleceu entre as sensações proporcionadas por esse objeto e a forma como pensa nele, ou o que sente por ele. Consegue perceber essa relação? Escolhi três artefatos para essa análise. O Iphoto (da Apple), um Blush (do Boticário) e um Depilador elétrico (da Philips). As respostas estão abaixo: Software Iphoto (da Apple) 1. Penso em memória, não tem como não associar o software ao conteúdo que ele gerencia: as fotos,  "rever momentos marcantes" é diretamente associado a uma carga emocional. Ou seja penso que o sotware herda o significado do seu conteúdo: as fotos. O fato dele ser muito fácil de usar, reforça a relação positiva que tenho com o aplicativo. Quando o comparo ao photoshop por exemplo, penso em alívio. "Que bom não terei de esperar uma eternidade para abrir o  programa (como acontece com photoshop) e poderei retocar e editar as fotos sem complicações, já que o ele salva automaticamente todas as fotos que edito em uma pasta separada". É isso: um senso de praticidade aliado a carga emocional que as fotos carregam. 2. Estimula principalmente a visão. 3. A visão das fotos e interface amigável estão diretamente relacionadas ao foto de eu me sentir bem em usá-lo. Blush do Boticário

1. Penso em me sentir bem, em me cuidar, em auto-estima e na sensação confortável de usá-lo. 2. Mais de um sentido é ativado: tato (gosto da maciez da esponja), olfato (um cheiro agradável e suave), visão (adoro a cor brilhante e viva do pó rosa que fica a vista, do movimento do pó quando o balanço). Adoro a forma com que o pó é transferido para a esponja, com o movimento de balançá-lo para cima e para baixo: é gestual. 3. O fato dele ativar mais de um sentido me faz ter uma experiência ainda mais prazerosa ao usá-lo. Ja tive e tenho outros blushs de outras marcas mas nunca havia parado para pensar o porque de preferir este especificamente. Depilador elétrico Philips 1. Penso em praticidade, penso também no benefício que terei após usá-lo: alívio, conforto, bem estar, auto-estima. Por outro lado penso também em dor e sacrifício. Apesar de já ter tido outros tipos de depiladores elétricos, este é o primeiro que consigo usar com uma certa frequência. Na embalagem eles prometem uma depilação menos dolorosa, "ele massageia a pele enquanto depila" segundo o fabricante. Se isso é verdade ou não, eu não sei, mas o fato é que essa afirmação exerce uma certa força psicológica positiva, o que me leva a crer que realmente ele doi menos. E além do mais, a praticidade é tão grande e o benefício comparado a outros métodos (depilação a cera) é tão grande que o objeto ganhou uma estima grande no meu dia-a-dia. Existe também o poder da marca: Philips me faz associar a produtos de qualidade, essa pré disposição a usar um produto Philips exerce um poder considerável na minha percepção de produto. 2. O sentido mais estimulado, obviamente é o tato: a sensação desconfortante e pouco agradável do ato de depilar. Também existe o som que ele emite quando é ligado. 3. O fato de ele ser leve, anatômicos e muito pequeno me faz pensar que ele é melhor que outros. O interessante é perceber que com um exercício simples podemos entender melhor nossa relação com os artefatos que nos cercam e principalmente compreender que estes são, muito além de simples ferramentas que servem a algum fim, que vão muito além da utilidade, da tecnologia embutida ou da interface, são capazes de estabelecer relações muito mais profundas, conectando necessidades e desejos humanos. São objetos que perduram no tempo. Emotional design é isso. E como os designer podem criar produtos emocionalmente significantes? Estudando a relação das pessoas com os produtos que as cercam. Não tem nada de bicho de sete cabeças, muito menos fantasioso, mas é, certamente, desafiante. Faça isso também...

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